A maneira inteligente de liberar o poder da nuvem

Geraldo Guazzelli

Diretor geral da NETSCOUT | Arbor para o Brasil

A computação em nuvem já faz parte da estratégia das empresas – e particularmente das grandes organizações –, que precisam da escala e da flexibilidade que a nuvem oferece para desenvolver seus negócios e permanecer competitivas.

Diante da importância que assume, não surpreende que 85% dos executivos responsáveis por decisões nas áreas de TI e de negócios acreditem ser a nuvem essencial em sua estratégia de transformação digital (DX) nos próximos anos.

Assim, o mercado de computação em nuvem cresce, devendo chegar a US$ 162 bilhões até 2020. No entanto, a multiplicidade de tecnologias e soluções disponíveis para os ambientes de nuvem híbrida torna a infraestrutura de prestação de serviços cada vez mais complexa, o que implica desafios e oportunidades.

 

É consenso que a implementação de uma estratégia de migração na nuvem seja crucial para a agilidade dos negócios. Mas o surgimento de novas tecnologias DX, assim como a aceleração da entrega de novos aplicativos e serviços ao cliente, trazem novos riscos.

Nuvens híbridas e múltiplas moldando a agenda das empresas

A complexidade se manifesta no número cada vez maior de organizações que utilizam serviços em nuvem de diferentes provedores, como AWS, Microsoft Azure e Google Cloud.

Pesquisa da Microsoft e 451 Research mostrou que quase um terço das empresas pesquisadas trabalhava com quatro ou mais fornecedores de nuvem em 2016. E, como o ambiente de múltiplas nuvens permite às empresas minimizar riscos, valendo-se das vantagens oferecidas por cada provedor, esse número deve aumentar. Além disso, a adoção de diferentes nuvens cada vez mais conta com o suporte de soluções de nuvem híbrida, em que a nuvem pública complementa a infraestrutura de nuvem privada e local de uma organização.

Esse ambiente complexo e em constante evolução cria a necessidade da visualização e análise dos fluxos de tráfego, de modo a aprimorar fatores como business assurance, business analytics e segurança. O monitoramento passivo e a análise em tempo real dos fluxos de tráfego geram informações significativas e acionáveis, de fundamental importância para reduzir o CAPEX e o OPEX à medida que as empresas avançam rumo à era digital.

Haverá, sem dúvida, um aumento no volume de dados que serão transmitidos nos ambientes de nuvem híbrida e SD-WAN e, portanto, o monitoramento e análise contínuos e escaláveis dos fluxos de tráfego se tornarão essenciais ao sucesso de uma estratégia de nuvem híbrida.

E mais: à medida que cresce o número de empresas que utilizam as tecnologias de nuvem, torna-se uma prioridade enxergar o tráfego de nuvem em sua totalidade. Contar com visibilidade ininterrupta, de ponta a ponta, em data centers, WAN, filiais, ambientes de nuvem e ambientes SaaS permitirá que as equipes de TI identifiquem problemas reis ou potenciais, resolvendo-os rapidamente.

Interrupções na rede custam às grandes empresas valores estratosféricos por ano. Com a Internet das Coisas (IoT), os dispositivos conectados deverão ser mais de 23 bilhões ainda este ano, muitos dos quais integrando aplicações críticas, como monitoramento de desastres e questões de natureza militar. Ou seja, não pode haver “off”.

Para manter vantagens competitivas agora e nos próximos anos, as empresas devem contar com total visibilidade de toda a sua infraestrutura, incluindo ambientes de nuvem on-premise ou não, sob pena de maiores riscos de falha e prejuízos aos negócios.

Smart data

As análises se tornam cada vez mais complexas, e para as organizações isso representa o desafio de lidar com o enorme volume de dados recolhidos do tráfego em suas redes físicas e virtuais. A análise de big data é interessante. Mas, para informações em tempo real relativas a service assurance e segurança, a análise e a extração eficiente de metadados inteligentes devem ser realizadas continuamente e na origem.

Ao adotar uma abordagem smart data, organizações de todos os setores obtêm uma visão completa e detalhada do novo ambiente de TI híbrido. Isso permitirá um verdadeiro entendimento do desempenho de aplicativos, disponibilidade de serviço, confiabilidade e capacidade de resposta a incidentes. Além disso, a capacidade de solucionar problemas passa a ocorrer em tempo real ou back in time, o que significa que as organizações podem aprender com os erros do passado a reduzir riscos no futuro.

A qualidade de aplicativos e serviços que dependem de plataformas, serviços e tecnologias novos/ inovadores – como nuvem múltipla, nuvem híbrida, SDN, SD-WAN e IoT – tem relação direta com a visibilidade que a equipe de TI dispõe da infraestrutura de entrega. Investimento no maior entendimento de serviços e aplicativos, disponibilidade, confiabilidade e capacidade de resposta as organizações aumentam dramaticamente suas chances de mitigar os riscos associados à transformação digital.

Evolução e inovação na nuvem

Ao olharmos para o futuro, fica claro que a nuvem continuará sendo essencial na agenda das empresas. Mais de um terço dos profissionais de TI citaram mais rapidez nas mudanças como meta principal para este ano e, para alcançar esse objetivo, mais e mais empresas utilizarão a nuvem para maior agilidade e a flexibilidade dos serviços.

Empresas fabricantes vêm demonstrando o enorme potencial da nuvem híbrida. Tradicionais fornecedores de tecnologias de virtualização buscam agora expandir sua infraestrutura para a nuvem, como se percebe na parceria entre VMware e a AWS, permitindo que os clientes da VMware estendam com eficiência suas infraestruturas e aplicativos virtualizados on-premise para ambientes de nuvem da AWS.

Vimos o Azure e a AWS publicarem lucros enormes, o que atesta o grande momento da nuvem híbrida. E o CEO da Microsoft, Satya Nadella, recentemente descreveu sua empresa como “the hybrid cloud provider of choice”. É cabível esperar inovações no espaço da nuvem, decorrendo da competição pelo mercado entre os provedores. Este ano deverá aumentar o número de empresas adotando as tecnologias de virtualização, de definição por software e de nuvem pública para criar novos modelos de negócios, melhorar sua eficiência e aprimorar a experiência do cliente. No próximo ano, a nuvem híbrida se tornará mainstream, e as empresas precisarão contar com smart data para acelerar sua transformação digital de maneira eficiente e lucrativa.